Segundo e último dia
Há uma tendência de estreias boas, com boa dose de nervosismo, depois descambarem em segundos dias fracos. Aqui temos uma inversão. Se ontem foi quase um segundo ensaio geral, hoje as coisas se deram melhor. Havia desde o início, com a entrada dispersa do público antes do começo, uma outra energia, mais tranquila, mas focada no espetáculo mesmo. No primeiro dia mais da metade do público era doméstico - amigos, conhecidos, colegas, parentes. Já no segundo dia veio quem queria vir, que pode vir.
Um diferencial: a orquestra, coração da obra, chegou antes e passou partes mais elaboradas. De fato o trem não descarrilhou o simples e profissional se ajustaram. Pela passagem prévia dessas partes dava pra ver uma sonoridade mais coesa, elaborada pelos fragmentos de ritmos e notas.
Como tive de sair, desconcentrei-me na apresentação. Esqueci de frisar a questão do gênero da obra - uma ópera de câmera.
Ironias da vida: estive presente em todo o processo: no dia em que as coisas saem mais satisfatórias, não pude comparacer.
Mas, enfim, há muito, a obra não é mais minha. Não foi gerada para ser minha. Nem minha será. Desde o início estava a Janette Dornellas, depois o Rafael Ribeiro, e depois este mês com Sophia Dornellas e Clara Figueroa. E enfim todos os que foram se aproximando e participando da festa.
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